Vista da exposição, Fidalga 175, 2022. Foto: Leka Mendes.

 
 

A Piscina – Plataforma para mulheres artistas apresenta entre os dias 08 e 10 de abril de 2022, a primeira edição do PISCINA PARALELA, programa de eventos e ativações que ocorrerão paralelamente aos principais eventos de arte. Nesta primeira edição, paralela à SP-Arte 2022, a plataforma apresenta uma exposição coletiva no galpão Fidalga 175, marcando a inauguração do espaço experimental, que visa proporcionar articulações e encontros no contexto de retomada do circuito de arte contemporânea.

Em sua primeira edição o PISCINA PARALELA apresenta obras de Tadáskía, Manu Costa Lima (em conjunto com Marília Scarabello na instalação Gangorra), Marta Neves, Leka Mendes, Alice Shintani e Bianca Turner. A seleção dos trabalhos teve como ponto de partida um diálogo com o espaço construído e urbano como uma sobreposição de tempos. Clique aqui para ver as vistas da exposição.

Curadoria e produção
Paula Plee, Ana Roman e Victor Lacerda

Educadora
Alice Yura

Montagem
Luiz 83


Manu Costa Lima

Manu Costa Lima
Infiltrados, 2022 (site specific)
lâmpadas led tubulares e canos de pvc
dimensões variáveis

Infiltrados é um conjunto de esculturas urbanas iniciado em São Paulo, em 2016. Trata-se de uma série que permanece aberta e que ganha significado a cada  novo lugar onde se instala.

Sistemas lineares feitos de tubos de PVC e lâmpadas led tubulares são instalados em diversos lugares da cidade. Como organismos vivos que se apropriam de elementos comuns daquela paisagem, criam circuitos que se infiltram na arquitetura e transpassam os limites entre público e privado. O trabalho acontece quando suas luzes se acendem, graças ao empréstimo de energia por pessoas que habitam aquelas vizinhanças. 

Manu Costa Lima e Marília Scarabello
Gangorra, 2020-2022

Gangorra é um trabalho - site specific- pensado a partir do diálogo remoto entre duas artistas durante o período de quarentena/ isolamento social, uma tentativa da construção de uma narrativa, de uma escrita sobre o nosso momento presente. A instalação é composta por duas caixas de som penduradas de lados opostos, uma de frente para a outra, conectadas por um cabo e dois detectores de presença. As caixas emitem sons a partir da aproximação das pessoas.

Manu Costa Lima
As Horas, 2016
Tinta de carvão sobre cartões de ponto
dimensões variáveis

Em As Horas, cartões de ponto envelhecidos são dispostos lado a lado formando um plano sobre o qual são pintadas áreas geométricas feiras com tinta a base de carvão. As densas áreas recobrem grande parte da superfície de cartões, deixando apenas algumas frestas, através das quais podem se ver datas, horários e atividades que compõem uma rotina de trabalho. Os planos evocam a rotina pesada e estafante e também trazem um sentido de esquecimento do que se é realizado de maneira mecânica e repetitiva todos os dias, onde o tempo é pesado e engolido na escuridão.


Alice Shintani

Alice Shintani
Sem título, da série Mata, 2022

Mata (2020 – em processo) é um trabalho desenvolvido gradualmente, sem um projeto prévio estabelecido além da disposição de fazer guaches sobre papel com composições livremente baseadas em elementos da flora e da fauna amazônicas. As linhas que atravessam de fora a fora o papel criam campos de cor esquemáticos e ampliados, sugerindo enquadramentos próximos, que recortam as figuras e renunciam ao compromisso técnico-descritivo comum às ilustrações botânicas, por exemplo. O fundo pintado de negro está presente em todas as imagens, sendo um elemento que reforça a luminosidade das cores empregadas pela artista e, também, uma metáfora do estágio de incerteza e opacidade que caracteriza os dias atuais.


Marta Neves

Na série Não Ideia, Marta Neves produz faixas com escritos à mão em tom bem humorado e, muitas vezes ácido, sobre narrativas de desejos de mudança não viabilizados por seus protagonistas. A faixa da exposição, que apresenta linguagem pajubá, que pode ser definida como um repertório vocabular e performativo da comunidade LGBT, foi especificamente produzida junto ao coletivo Academia TransLiterária (@academiatransliteraria), coletivo de arte composto, em sua maioria, por pessoas trans, mas também integrado por pessoas cis próximas à causa. O coletivo desenvolve trabalhos em performance, escrita, saraus literários, desenvolve oficinas e publicações. De caráter as faixas de caráter popular, típicas do ambiente urbano criam uma espécie de tensão e ruptura quando trazidas para dentro do espaço expositivo. 


Tadáskía

Tádaskía
Voadora II, 2020
turbante, fita de cetim, palha e madeira
56 x 111 x 30 cm

O universo de Tadáskía tem lastro nas coisas visíveis e invisíveis. Em seus trabalhos têxteis, mas também em desenhos e fotografias, a artista se relaciona com a matéria disponível a partir do encontro, criando ao seu entorno imaginações afrodiaspóricas e uma espiritualidade sincrética. Nos suportes repartidos, rasgados e também dobrados, a artista sugere outras noções de tempo e espaço diante dos binarismos, igualmente apresentando questões aos campos da forma, da linha e da cor.


Leka Mendes

Leka Mendes
Second Nature, 2020

Leka mendes
Notas do Antropoceno, 2018

"Em relação aos processos de construção, Leka Mendes começou há muito tempo a fazer transferências fotográficas em fragmentos de detritos de construção. Essas imagens, selecionadas de episódios históricos ligados a gestos destrutivos, despertaram na artista uma consciência da própria forma dos escombros sobre os quais as imagens foram impressas e, meses depois, os escombros passaram a servir de suporte para transferir sua forma a um tecido. O fragmento como uma imagem em si, transferindo para uma composição abstrata a memória de sua forma para reivindicar a importância de cada uma daquelas partes que anteriormente compunham um todo. Da mesma forma, esses fragmentos transferidos por meio de uma tinta plana nos remetem inevitavelmente aos mosaicos de peças de cerâmica vermelha com as quais os operários da indústria de São Caetano cobriram o chão de suas casas por décadas." (Angel Calvo Ulloa em texto da coletiva “Saudosa Maloca", em SP, novembro 2017)

Leka Mendes
Antropocências, 2022
medidas variáveis

Holoceno é o termo geológico utilizado para designar o período que se estende de 12 ou 10 mil anos – quando terminaram os efeitos da última glaciação – até a contemporaneidade. Neste período, as condições climáticas permitiram o desenvolvimento do ser humano e sua expansão pela superfície terrestre. Desde 1995, cientistas propõem que utilizemos o termo Antropoceno para designar o contexto atual, no qual as atividades humanas se tornaram a principal causa da escalada global da mudança ambiental. Antropocênicas, de Leka Mendes, tem como ponto de partida os efeitos das atividades humanas na transformação da paisagem. A artista se utiliza de detritos da construção civil e descartes plásticos para construir pequenas cidadelas. Tais cidadelas se espraiam pelo chão e, em alguns momentos, erguem-se em meio a estrelas e satélites que orbitam no entorno do planeta Terra. Cria-se uma certa contiguidade entre paisagem humana (e urbana) e o céu, que pode ser lida como uma espécie de síntese do Antropoceno, no qual a ‘queda do céu’, anunciada por David Kopenawa e por outras cosmogonias indígenas, faz-se iminente.


Bianca Turner

Bianca Turner
Inventário em vida, 2021
performance
11 minutes

Em Inventário em vida, "as diferentes linhas de demarcação do Tratado de Tordesilhas são traçadas no corpo feminino, questionando a noção de Terra e Posse, tanto na invasão européia quanto na lógica estrutural do patriarcado: "Como um território / corpo pode ser dividido, possuído e nomeado antes de ser encontrado? ” – texto da artista sobre o trabalho.