Perfil | Ana Cláudia Almeida

Como normalmente as entrevistas de Perfil de artista acontecem por email, o tempo de resposta às vezes é longo, o tempo de editar, às vezes é maior ainda e assim, as entrevistas ficam marinando por algum tempo e demoram a serem publicadas. Alguns meses depois, felizmente a entrevista com a Ana Cláudia Almeida está no ar!

Essa é uma entrevista bastante especial na qual a Ana dividiu com a gente aspectos fundamentais da sua prática artística, falou sobre suas principais influências, principais desafios e deu detalhes sobre o início do Trovoa, projeto que acompanhamos desde seu início e do qual a Ana é uma das fundadoras ao lado da Ana Clara Tito, da Carla Santana e da Laís Amaral.

Ana Cláudia Almeida nasceu em 1993, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Sua pesquisa se baseia na ampliação das possibilidades dos materiais, criando situações e experimentações que trazem resultados imprevisíveis para seus trabalhos. Em entrevista para o Caderno Ela, do jornal O Globo, a artista explica: “Crio situações que deixam o resultado imprevisível. Uso vídeos aquáticos como inspiração. De rios a valões, como os que há atrás da minha casa. O movimento é muito importante, crio uma pintura que faz o olho percorrer um caminho, como se fosse uma dança estática”. Todos esses experimentos e inspirações ajudam Ana Cláudia Almeida a encontrar novas formas de contar a história das superfícies, que ela entende como possibilidades de demarcações temporais.

[Na minha pesquisa] navego entre paisagem, tempo e ação, como elementos de construção de espaço. [...] gosto muito de entender as superfícies como possibilidades de demarcações de tempo. [...] tenho me dedicado bastante a ampliar as possibilidades que os materiais me dão para contar as histórias das superfícies de novas formas.
— Ana Cláudia Almeida

Você pode contar um pouco sobre sua formação e trajetória? Como se deu a escolha de trabalhar como artista?
Ai, ai, (dor). Fiz 7,5 anos de Desenho Industrial pela ESDI, a escola de Design da UERJ e pela Virginia Commonwealth University. No meio da graduação passei um ano fora da academia perdidona e foi quando comecei a pintar para aliviar o stress. Depois, quando estava na VCU, fugi do Design o máximo que pude e peguei algumas matérias teóricas, de estudos afro-americanos, estudos da cidade e algumas outras no curso de artes, entre elas uma matéria de pintura que foi a melhor experiência de sala de aula que eu tive durante a graduação. 

Eu trabalhei bastante como designer, enquanto estava na faculdade e um tanto depois que saí também, em tudo quanto é tipo de lugar, ONG, startup, multinacional, e hoje trabalho um pouco com isso ainda, mas só como freela. Na verdade, só passei a ver pintura como uma possibilidade de trabalho durante a formação do Trovoa, lá em Niterói, junto da Carla Santana, da Ana Clara Tito e da Laís Amaral, nessa época a gente se dava muita força para levar a produção a sério. Foi mais ou menos quando comecei a fazer a EAV Parque Lage, com alguns cursos livres e posteriormente no programa de Deformação, também quando participei de algumas exposições no Bela Maré, onde conheci toda uma galera massa que foi e é muito importante para a minha trajetória. 

Ana Cláudia Almeida Sem título, 2021 Pastel oleoso sobre papel algodão 81,5 x 116 cm Imagem cortesia da artista e Quadra.

Ana Cláudia Almeida
Sem título, 2021
Pastel oleoso sobre papel algodão
81,5 x 116 cm
Imagem cortesia da artista e Quadra.

Você já mencionou que a sua mãe foi a responsável por te 'passar o gosto pela arte'. Como foi isso? 
Antes de falar da minha mãe acho que tem uma questão geográfica de acesso às instituições de arte a ser conversada. Eu sou do Rio, teoricamente a segunda cidade com mais oportunidades de museus e centros culturais do país. Ainda sim, sendo da Zona Oeste da cidade, a área com maior extensão e população – e podemos dizer que o Rio de Janeiro praticamente é a Zona Oeste – minha mãe, comigo e com meu irmão, precisava viajar pelo menos 2h de ônibus para que a gente chegasse num CCBB da vida, por exemplo. Como ela gostava de arte e tudo relacionado à cultura ela fazia esse esforço sempre que dava. Andréa Almeida, se formou em Turismo e o TCC dela foi justamente sobre a deficiência de equipamentos culturais na periferia. Hoje ela cursa História da Arte na UERJ, mesma universidade em que eu formei, e além dos rumos teóricos do curso ela também começou a desenvolver uma pesquisa artística, que também continua permeada por questões de acesso, seja por dilemas geográficos ou raciais. 

Mapa das zonas urbanas da cidade do Rio de Janeiro.

Mapa das zonas urbanas da cidade do Rio de Janeiro.


Qual sua pesquisa atual e que trabalhos você tem desenvolvido nos últimos tempos?
Eu navego entre paisagem, tempo e ação, como elementos de construção de espaço. Quase tudo é pintura ou desenho abstrato, e gosto muito de entender as superfícies como possibilidades de demarcações de tempo. Sou uma entusiasta da textura e ultimamente tenho me dedicado bastante a ampliar as possibilidades que os materiais me dão para contar essas histórias das superfícies de novas formas.  Ando muito em um tesão geográfico, micro e macro visões, vistas superiores e vistas frontais, imagens de satélites e aterramentos, paisagem natural e construída. Essas coisas têm pairado minha mente enquanto produzo.

Ana Cláudia Almeida Piracema de Pirapora de Davi, 2018

Ana Cláudia Almeida
Piracema de Pirapora de Davi, 2018

Quais fatos, trabalhos ou experiências mais relevantes/marcantes contribuíram ou afetaram de alguma forma a sua trajetória? 
Muitas emoções. Participar da residência do Valongo Festival com certeza foi um divisor de águas, na época a coordenação da residência era com o Tarcísio Almeida e ele acompanha meu trabalho até hoje. Fiz um trabalho que me gerou muita adrenalina, porque coloquei 5 metros de papel emassado para pintar na chuva por uma semana e a coisa toda poderia rasgar a qualquer momento durante a exposição no festival. A ideia era depois levar a pintura para exposição dos finalistas do Prêmio EDP das Artes e se rasgasse não tinha trabalho. Deu tudo certo, mas em termos de processo foi muito marcante. Foram 20 dias de preparação do papel, muitos testes, falhas e frustrações e por isso foi essencial ter o acompanhamento foda que eu tive durante a residência, fora estar do lado de artistas que eu admirava muito e que expandiam minha mente a cada conversa. 

Teve também a pintura coletiva que eu, Carla, Clara e Laís fizemos para a ópera Os Contos de Hoffmann no Theatro Municipal do Rio. Uma tela abstrata de 18m, feita na base de muita telepatia, diálogo e dores musculares. Nós pintávamos em silêncio sem um plano prévio e a cada hora ou duas nos encontrávamos no centro da tela para discutir os caminhos que o trabalho tomava, onde faltava detalhamento, onde poderia ter um ponto de luz, se a dinâmica das cores estava harmônica, se as texturas estavam fazendo sentido, com certeza o exercício de composição mais incrível que eu já tive. 

Mas acho que o mais especial foi ter participado ativamente do Levante Nacional Trovoa em 2019. Durante o mês de Abril daquele ano aconteceram exposições, rodas de conversa, leituras de portfólio entre outras atividades em 6 estados brasileiros de 4 das 5 regiões do país, tudo isso via articulação de gente que estava muito afim de fazer. Depois disso o Trovoa virou esse coletivo nacional e fico muito feliz de pensar que contribuí junto de tanta gente para que pudéssemos mostrar a multiplicidade da produção brasileira.  

Você comentou que esse acompanhamento com o Tarcísio Almeida fez muita diferença na sua produção. Como você enxerga a contribuição dessa experiência no seu trabalho como ele é hoje?
O bom de trabalhar com o Tarcísio é que além de ele ser super completo e me ajudar desde em dilemas de materiais ou como resolver um problema prático na execução de um trabalho, e também ser um excelente interlocutor para discutir todas as questões conceituais que permeiam o fazer, ele também é uma pessoa maravilhosa. Poder ser acompanhada por ele é um puta privilégio. A residência rolou em 2018, mas a gente já tinha se esbarrado em 2016, no programa AfroT, da Diane Lima, que foi quem nos conectou de novo no Valongo. Recentemente nós fizemos juntos a minha individual na galeria Quadra, aqui no Rio. A curadoria é dele e é um trabalho com alguns desdobramentos ainda. 

Ana Cláudia Almeida, Sem título, 2021 – Pastel oleoso, pigmento e resina acrílica sobre tela, 2,60 x 3m. A obra integrou a mostra Buracos, crateras e abraços, que esteve em exibição na Quadra, de maio a julho de 2021. Foto: Cortesia da artista e Quadra.

Ana Cláudia Almeida, Sem título, 2021 – Pastel oleoso, pigmento e resina acrílica sobre tela, 2,60 x 3m. A obra integrou a mostra Buracos, crateras e abraços, que esteve em exibição na Quadra, de maio a julho de 2021. Foto: Cortesia da artista e Quadra.

Você pode contar um pouco sobre a formação do Trovoa e como o grupo se articulou no início e como foi possível que o projeto se desenvolvesse e em diversos estados do Brasil?
Começou em 2017 quando nós quatro nos encontramos em Niterói. A gente tinha um espaço lá que usávamos como ateliê coletivo. Quando entregamos esse espaço nos questionamos o que é que nos unia enquanto grupo, não éramos muito um coletivo que fazia trabalhos de arte junto e sem o espaço também não seria mais esse o ponto de convergência. Depois de muita conversa entendemos que na verdade o que nos unia era a conversa mesmo. Nessa época fomos convidadas para fazer uma residência no Hélio Oiticica e decidimos que uma das atividades da residência seriam conversas livres sobre arte com outras mulheres, foi aí que nasceu o programa dos Chás de Verão, que eram bate-papos de arte com comida e chá gelado. Os chás acabaram se tornando muito centrais nessa experiência de residência e sentimos o desejo de expandir essa articulação. Ao final da residência convidamos todas as artistas negras que participaram do chás para expor conosco lá no H.O. Paralelamente a isso, entramos em contato com pessoas que estavam articulando coisas em outras cidades, e convidamos todas para fazermos uma grande mostra nacional no mês de Abril de 2019. Conversamos com quem geria espaços ou já estava fazendo coisas e nesse processo fomos conhecendo várias pessoas fodas que propuseram atividades para o Levante de acordo com o que entendiam ser mais relevante/viável naquele momento para sua cidade. 

Quais são suas perspectivas como artista? Como se vê daqui um tempo? Tem algum projeto que deseja realizar mais a longo prazo? 
Tenho muitas ideias de coisas que quero fazer. Tantas que chego a ficar um pouco atordoada às vezes porque minha cabeça não pára. Existe uma infinidade de materiais e técnicas para desenvolver e recursos de montagem também. Ai, isso tudo me dá muito tesão de trabalhar. O personagem clássico Naruto me instiga muito com o jutsu Clone das Sombras, gostaria de ser como ele, criar várias cópias de mim para poder desenvolver todos os projetos que tenho em mente ao mesmo tempo. Gostaria de multiplicar também, além do meu corpo, meu espaço de ateliê e meu orçamento de material.  

Ana Cláudia Almeida, Sem título, 2021 – óleo, areia, PVA, resina acrílica e pigmento sobre tela, 180 x 140 cm. A obra integrou a mostra coletiva Electric Dreams, com curadoria de Raphael Fonseca e que esteve em exibição na Nara Roesler Rio de Janeiro de maio a agosto de 2021. Foto: Pat Kilgore – Cortesia da artista e galeria Nara Roesler

Ana Cláudia Almeida, Sem título, 2021 – óleo, areia, PVA, resina acrílica e pigmento sobre tela, 180 x 140 cm. A obra integrou a mostra coletiva Electric Dreams, com curadoria de Raphael Fonseca e que esteve em exibição na Nara Roesler Rio de Janeiro de maio a agosto de 2021. Foto: Pat Kilgore – Cortesia da artista e galeria Nara Roesler

Que mulheres (artistas, escritoras, familiares e figuras públicas) foram/são influências e fonte de inspiração? 
Sônia Gomes grande artista, Iole de Freitas artista e professora incrível, Lúcia Laguna amo o trabalho, Whitney Oldenburg também artista e professora maravilhosa; Keyna Eleison, uma mulher muito visionária e sempre à frente de seu tempo; Clarissa Diniz, uma mente genial, pessoa generosa e grande professora; minhas fiéis Ana Clara Tito, Carla Santana e Laís Amaral me inspiram muito sempre; Silvana Bahia é uma inspiração máxima também. E mais importante, minha mãe Andréa Almeida, que me passou o gosto pela arte.

Além do Trovoa, você mencionou muitas trocas entre você, a Clara, a Carla e a Laís. Como se dão essas trocas entre vocês hoje em dia e qual a influência dessa interlocução no seu trabalho? 
Seguimos aí na caminhada, sempre torcendo muito uma pela outra, de vez em quando tomando uma cerveja quando surge a oportunidade, e ainda do mesmo jeito unidas pelo tititi-tatata-tititi e pelos corres do coletivo que nunca acabam. A influência é que se não fosse elas talvez eu não tivesse entendido que arte poderia ser uma possibilidade profissional pra mim, e quando eu falo profissional digo isso porque ter uma carreira é de fato uma prioridade pra quem nasceu pobre e conseguiu acesso à universidade. Quando você trabalha 40h em algo que você quer que te proporcione uma vida melhor e ainda estuda em todas as horas que sobram para se aperfeiçoar como profissional, não sobra tempo nenhum pra fazer arte, não importa o quanto você ame a sua prática artística e isso produz vários adoecimentos. Então, falando de maneira prática, ver arte como uma possibilidade de trabalho infelizmente é o único caminho que achei para ver arte como uma possibilidade de vida. E exige muita auto-confiança e coragem porque arte como trabalho é uma perspectiva absurda na vida real. Essa coragem eu achei com as minhas amigas.

Ver arte como uma possibilidade de trabalho infelizmente é o único caminho que achei para ver arte como uma possibilidade de vida. E exige muita auto-confiança e coragem porque arte como trabalho é uma perspectiva absurda na vida real. Essa coragem eu achei com as minhas amigas.
— Ana Cláudia Almeida
Ana Cláudia Almeida Sem título, 2020 Resina acrílica, pigmento e óleo de linhaça sobre tela 186 x 113 cm Imagem cortesia da artista e Quadra.

Ana Cláudia Almeida
Sem título, 2020
Resina acrílica, pigmento e óleo de linhaça sobre tela
186 x 113 cm
Imagem cortesia da artista e Quadra.

Tenho essa coisa de não desistir de um trabalho até que eu goste dele, e isso é o que na maioria das vezes me leva às experimentações mais legais. [...] Insistir em um trabalho que está ruim me leva a lugares inesperados.
— Ana Cláudia Almeida

O que você faz para se motivar em períodos de baixa/desânimo/bloqueio criativo?
É difícil dizer porque na maioria das ocasiões em que tive bloqueio criativo isso se dava muito por conta de fatores que eu não tinha controle. Falta de espaço, de material muitas vezes, coisas assim. Preciso de uma rotina, um espaço só meu mesmo que dentro da minha casa, uma certa estabilidade para conseguir produzir e aí sim dar vazão à experimentação. Então, quando as coisas ficam difíceis eu geralmente espero a vida trazer condições melhores para o bloqueio passar. Tem épocas também em que tudo que eu faço fica ruim, nesses casos a solução é continuar fazendo até ficar bom. É doloroso, mas funciona. Tenho essa coisa de não desistir de um trabalho até que eu goste dele, e isso é o que na maioria das vezes me leva às experimentações mais legais. Há momentos em que realmente a vontade é tirar da sua frente e jogar direto no lixo pois o trabalho está estragado em um nível que realmente não tem mais jeito. É aí que a coisa fica boa! Insistir em um trabalho que está ruim me leva a lugares inesperados. Fé no processo!

Ana Cláudia Almeida Sem título, 2021 Pastel oleoso e caneta marcador sobre papel algodão 81,5 x 116 cm

Ana Cláudia Almeida
Sem título, 2021
Pastel oleoso e caneta marcador sobre papel algodão
81,5 x 116 cm

Acredito que minha principal contribuição seja no sentido de ser mais um tijolinho na construção da percepção de mulheres negras como seres passíveis de trabalhar com atividades diretamente relacionadas à subjetividade humana. O que deveria ser algo óbvio, mas que está desassociado do nosso imaginário comum.
— Ana Cláudia Almeida

Quais foram os maiores desafios enfrentados na sua trajetória até agora?
Sem dúvida o preço do material e a dificuldade de acesso a materiais artísticos de qualidade no Brasil é o desafio número 1 pra mim. Em seguida, um circuito que considera que feminilidade só é possível dentro da branquitude e que negritude só é possível dentro da masculinidade,  além do uso da figura negra como selo de diversidade institucional, sem nos considerar indivíduos que podem fazer e almejar coisas completamente diferentes.

Como você enxerga o papel da sua atuação como mulher artista no cenário artístico atual?
Acredito que minha principal contribuição seja no sentido de ser mais um tijolinho na construção da percepção de mulheres negras como seres passíveis de trabalhar com atividades diretamente relacionadas à subjetividade humana. O que deveria ser algo óbvio, mas que está desassociado do nosso imaginário comum.

É uma pena que nós, mulheres, ou pessoas negras, ou outras minorias, precisemos nos unir para trabalhar a fim de resolver problemas que não foram criados por nós. Ainda sim, que bom que fazemos, porque tudo que conseguimos até hoje foi graças ao esforço e pressão coletivas. 
— Ana Cláudia Almeida

Quais foram os impactos e desdobramentos desse momento para você nos âmbitos profissional e emocional? 
Profissional não sei dizer, porque cada ano é diferente. Mas emocional, nossa! A pandemia levou ladeira abaixo. Estou inteira, graças a Deus, aos amigos e à medicina. 

Qual o seu entendimento sobre a necessidade e importância de se ter iniciativas voltadas exclusivamente às mulheres e outros grupos minoritários?
Se não tiver quem puxe a orelha, ninguém se move para mudar a estrutura. É uma pena que nós, mulheres, ou pessoas negras, ou outras minorias, precisemos nos unir para trabalhar a fim de resolver problemas que não foram criados por nós. Ainda sim, que bom que fazemos, porque tudo que conseguimos até hoje foi graças ao esforço e pressão coletivas. 

Vista da exposição Buracos, crateras e abraços (dedicada a todos os amigos que não gostam de falar sempre), que esteve em exibição na Quadra, de maio a julho de 2021.

Vista da exposição Buracos, crateras e abraços (dedicada a todos os amigos que não gostam de falar sempre), que esteve em exibição na Quadra, de maio a julho de 2021.