Há Algo Aqui

O olho háptico, segundo Deleuze, é aquele que apreende sensações, que toca e é tocado. Lado a lado as obras das seis artistas aqui expostas trazem a inerente fragmentação das colagens e juntas, são possibilidades. Cabe ao observador, ao se deslocar pelo espaço, investigar o que há aqui. Entre o arrebatamento e o pensamento que organiza e dá sentido, HÁ ALGO AQUI escancara o fazer curatorial, como uma colagem e suas partes expostas. 

Paisagens, corpos, memórias e ausências são convites para adentrar o plano subjetivo além da objetividade palpável das obras em si. Aqui, o visitante pode se ver através da perspectiva das artistas, ora através de espelhos, ora por meio da vulnerabilidade de corpos nus, ou ainda por meio de paisagens retalhadas pelo tempo ou pelas mãos das artistas.

Durante o processo de criação, as artistas aqui expostas se constroem e através do gesto de fragmentar, reordenar partes, recriar paisagens e sobrepor imagens, se colocam em evidência e convidam o espectador a ser parte ativa desse processo de construção. Assim, as obras se tornam uma espécie de espelho lacaniano que não reflete a realidade, mas fragmentos de memória, produzindo uma qualidade escorregadia no olhar, que instiga a perceber o visível e o invisível, o presente e o ausente em cada trabalho. Olhar é tornar-se parte da história das coisas.

Através do percurso sem ordem pré-definida ou pré-determinada pelo espaço, o visitante tem a liberdade de criar sua própria narrativa e acolher aspectos particulares de cada obra para si, reconhecendo assim, através de si mesmo e em seus próprios termos, a potência presente em cada um dos trabalhos.

Ana Luiza Fortes, Nataly Callai e Paula Franchi
Piscina

Fotos: Romullo Baratto
 

 

Galeria Recorte, São Paulo, 2017

Artistas

Colla GG

Juliana Coelho

Ana Hortides

Gabriela Sánchez

 Mariana Destro

 Maíra Ishida