artistas-curadoras na 33a Bienal de São Paulo [série] - 1 de 4

Recentemente, a Fundação Bienal divulgou as propostas expositivas dos 7 artistas-curadores selecionados por Gabriel Pérez-Barreiro, curador da 33a edição da Bienal Internacional de São Paulo.

Em Afinidades Afetivas, título escolhido por Pérez-Barreiro para a Bienal, que tem abertura marcada setembro deste ano, a proposta curatorial busca valorizar a fruição individual das obras e não um recorte que direciona a uma compreensão previamente estabelecida. 

Para isso, o curador propôs 12 projetos individuais e 7 mostras coletivas organizadas por 7 artistas-curadores selecionados, que segundo ele, têm “total autonomia na concepção de suas mostras, tanto em relação uns aos outros quanto à curadoria geral. As únicas limitações impostas a eles foram de ordem prática, relativas a orçamento e ao uso do Pavilhão da Bienal”.

São eles: Aos nossos pais, de Alejandro Cesarco; sentido/comum  de Antonio Ballester; O pássaro lento de Claudia Fontes; Stargazer II [Mira-estrela II] de Mamma Andersson; A infinita história das coisas ou o fim da tragédia do um de Sofia Borges; Waltercio Caldas e Wura-Natasha Ogunji.

Cada vez mais interessadas na curadoria voltada às práticas de artistas mulheres, resolvemos apresentar em uma série de 4 posts aqui no blog, as propostas das artistas-curadoras convidadas, de modo a conhecer o trabalho delas e dos artistas que integram suas propostas expositivas.

Começaremos a série com O pássaro lento, proposta de Claudia Fontes, artista nascida em Buenos Aires (Argentina, 1964)  e que agora vive e trabalha em Brighton, Inglaterra. 
Através de sua obra Fontes investiga modos alternativos da percepção da cultura, natureza, história e sociedade que derivam dos processos de descolonização, sejam eles pessoais, interpessoais ou sociais. 

Em um de seus trabalhos mais recentes, uma instalação em grande escala para o pavilhão argentino na La Biennale di Venezia de 2017, estão representados em uma cena congelada, um cavalo, uma mulher e um jovem que lidam de maneiras diferentes com o mesmo paradoxo: uma crise se desenvolve e seus sintomas, são, ao mesmo tempo, o problema que os causa. The Horse Problem, é inspirado em ícones culturais do século XIX, sobre os quais a identidade cultural argentina foi artificialmente construída. Saiba mais sobre a obra aqui.

Já em sua proposta para a 33a edição da Bienal Internacional de São Paulo Fontes trata sobre a lentidão.  O ponto de partida de O Pássaro Lento surge quando a artista se pergunta sobre em qual situação um pássaro sentiria vertigem e para a artista, isso ocorreria quando a velocidade em que voa é tão lenta que corre o risco de cair.  Em contraponto ao fetiche moderno de velocidade, a artista e os artistas por ela convidados, e irão apresentar trabalhos de temporalidade expandida.  “[…] nossa espécie vem sendo treinada desde a infância para desprezar a vagarosidade e desejar rapidez. Como resultado, todos nós agora temos dificuldade de imaginar outros meios de estar consigo mesmo e com os outros”.

Com exceção de Roderick Hietbrink (Holanda, 1975), todos os artistas convidados irão desenvolver obras comissionadas especialmente para a ocasião: Ben Rivers (UK, 1972), Daniel Bozhkov (Bulgária, 1959), Elba Bairon (Bolívia, 1947), Katrín Sigurdardóttir (Islândia/EUA, 1967), Pablo Martín Ruiz (EUA, 1964), Paola Sferco (Argentina, 1974), Sebastián Castagna (Argentina, 1965) e Žilvinas Landzbergas (Lituânia, 1979).

Veja na galeria abaixo, uma seleção de trabalhos dos artistas:

exercício de curadoria: hysteria

A Hysteria é uma plataforma feita por mulheres, sobre mulheres e para mulheres, que a Piscina tem a honra de fazer parte. Durante todos os meses de 2018, a Piscina fará uma curadoria especial para o Instagram da Hysteria, com imagens de obras das artistas da Pisci, a partir de um tema proposto por nós. 

Em janeiro, o tema foi Corpo:

a dor, o dorso, a pele, o osso.
a carga de vida.

o corpo feminino se oferece à imagem: três poses.

e uma obra que, aqui, por contraste, parece comentar:

mas não esqueça do corpo da mulher padronizado, fragmentado, despersonalizado, substituível.

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E esta semana saiu o tema de fevereiro, Panorama:

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vastidão a ser explorada, vivida.
ver e ser o mundo através do seu próprio horizonte.
a linha
que separa o céu da terra, do mar.
a linha
que separa o resto do universo de si mesmo.
o horizonte-elástico
moldado pelo tempo, pelas circunstâncias.
ora se retrai e é tão restrito, ora se expande e ganha mundo.

 

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Estamos curtindo tanto o exercício e os temas que têm surgido, que a vontade é de desdobrar esta experiência em outras coisas, seja um fôlego, uma mini-publicação ou exposição. 

Tem sido muito bacana, no sentido de que nós três (Paula, Nataly e Ana) fazemos uma curadoria-relâmpago, o que nos interessa bastante como exercício. Tudo acontece online e à distância, o que lembra os primórdios da Piscina, em 2015, e já faz parte da essência do nosso projeto.